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Anti-Capitalismo
Anti-Colonialismo
Anti-Heteropatriarcado
Fórum de Universidades Populares
Buenos Aires, 21-nov-2018 | Centro Cultural San Martin - Av. Sarmiento, 1551
2018-11-07
Por Erick Morris

No dia 21 de novembro será realizado em Buenos Aires o Fórum de Universidades Populares (FUP), iniciativa conjunta do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES) e do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), no contexto do Primeiro Fórum Mundial de Pensamento Crítico (#Clacso2018). Trata-se de um evento para conhecer e integrar diferentes iniciativas de educação popular na construção de propostas contra-hegemônicas de universidade. O FUP contará com Universidades Populares de diversos países da América Latina, tais como Argentina,  Brasil, Chile, Colômbia e Equador, bem como de Portugal e do Saara Ocidental.

Para saber mais acesse o clacso.org.ar/conferencia2018

Leia a seguir o texto de apresentação do FUP:
Apresentação

Vivemos um momento de avanço do neoliberalismo e do autoritarismo em diversas partes do mundo, sobretudo na América Latina, seja no Brasil, Argentina, México, Colômbia e tantos outros países. Isso tem se desdobrado em muita violência e repressão contra os movimentos sociais e populares, além do fortalecimento de discursos e práticas racistas, machistas e socialmente excludentes. A educação é um dos pontos centrais desse projeto de desestabilização democrática do continente, com redução de investimentos, precarização em todos os níveis e diminuição do acesso de grandes grupos populacionais à universidade. Mais do que nunca se faz necessária uma grande articulação por uma justiça cognitiva, fundamental para construirmos um mundo mais justo em todos os sentidos.

A universidade tradicional vive uma profunda crise de legitimidade e tem se mostrado incapaz de liderar este processo. Enquanto instituição hegemônica de validação do conhecimento nas sociedades ocidentais, ela tem constantemente perdido espaço, não sendo mais a mentora de projetos nacionais (burgueses) e nem conseguindo se tornar um espaço de ocupação popular e/ou de sua emancipação. Em vários contextos a universidade ficou dividida entre esses dois mundos e isso tem contribuído para sua fragilidade. A universidade teve parte ativa no processo de expansão europeia e de colonização de outros povos entre os séculos XV e XX, tanto enquanto legitimadora dos processos de violência nas conquistas, como no epistemicídio decorrente de inúmeras culturas e saberes, além de ser uma instituição perpetuadora dos conhecimentos eurocêntricos nas sociedades colonizadas, mesmo após décadas ou séculos de independência política e da formação de novas nações.

Não obstante, desde o final do século XIX e início do século XX temos visto inúmeras tentativas de popularizar a universidade, ou de pintá-la com a cara do povo, como disse certa vez Che Guevara. A América Latina foi um dos locais mais férteis de experiências alternativas de universidade, sobretudo a partir da Reforma Universitária de Córdoba (Argentina), em 1918, quando se iniciou um processo de democratização e laicização da universidade, com reverberações por todo o continente. Nas últimas décadas temos visto um movimento que busca um resgate de outros saberes e de valorização dos conhecimentos ancestrais indígenas, com as universidades interculturais. Muitos movimentos sociais têm articulado seus próprios espaços, sejam escolas de formação ou universidades populares.

É neste contexto em que surge a ideia de um Fórum de Universidades Populares, que pretende ser um espaço de construção coletiva, para ocorrer no I Fórum Mundial de Pensamento Crítico, a partir das mais diferentes e variadas vivências contra-hegemônicas, sobretudo do Sul global e com enfoque especial nas da América Latina-Abya Ayala. A ideia é realizarmos uma intensa troca de experiências e de estreitarmos laços neste momento de profundo avanço do Capital e do colonialismo nas mais variadas esferas da vida. Não pretendemos apenas fortalecer a resistência aos ataques neoliberais, mas também dar visibilidade a movimentos concretos e propor caminhos para uma educação libertadora em todos os níveis: antipatriarcal, anticolonial e anticapitalista.

 

 

 

 

 

UPs Confirmadas

  1. Universidade Popular Empenho e Arte - UPEA (Portugal) ;
  2. Universidade Popular dos Movimentos Sociais – UPMS (Argentina);
  3. Escola Nacional Florestan Fernandes - ENFF (MST/Via Campesina – Brasil);
  4. Pluriversidad Amawtay Wasi (Ecuador);
  5. Universidad Popular de los Pueblos (Colômbia);
  6. Universidad Autonoma Indígena Intercultural (Popayan – Colômbia);
  7. Unitierra (Colombia);
  8. Universidad Popular del Pueblo Sahrawi (Saara Ocidental);
  9. Pañuelos en Rebeldía (Argentina);
  10. Universidad Trashumante (Argentina).

 

 



Erick Morris é Doutorando em Pós-Colonialismos e Cidadania Global (CES/FEUC). Tem como temas de pesquisa educação popular na América Latina, movimentos sociais e democracia. Seu projeto de tese conta com o título de "Universidades Populares e as Epistemologias do Sul", sob orientação de Boaventura de Sousa Santos (UC) e de Shirley Aparecida Miranda (UFMG). É mestre em Ciência Política pela Florida International University (2004) e licenciado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2003). Trabalhou na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) e no Instituto Paulo Freire (IPF). É membro do grupo de pesquisa Curupiras - Colonidades e Outras Epistemologias

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