ALICE_Interview_17 – Inês Macamo Raimundo – Bruno Sena Martins 30/10/2014
2015-02-24

Interview in Portuguese / Entrevista em Português Short Description: Inês Macamo Raimundo explains that the main factors in forced displacement in Mozambique have been more recently, natural disasters, forcing many Mozambicans have more than one residence, often crossing national borders. In her view, this permanent mobility creates an adverse context for economic security and formal training of populations. Inês Macamo Raimundo states that forced displacements had an important historical moment when civil wars called, whose 16 years strongly impacted populations. Before that, remember the impact of Colonialism: through the Colonial war/war of liberation and through slavery, the chibalo (forced labour) and the hut tax. Breve Resumo: Inês Macamo Raimundo explica que os principais fatores nas deslocações forçadas em Moçambique têm sido, mais recentemente, os desastres naturais, obrigando muitos moçambicanos a terem mais que uma residência, atravessando amiúde as fronteiras nacionais. A seu ver, esta permanente mobilidade cria um contexto adverso para segurança económica e formação formal das populações. Inês Macamo Raimundo refere que as deslocações forçadas tiveram um importante momento histórico aquando da chamada guerras civil, cujos 16 anos impactaram fortemente as populações. Antes disso, lembra o impacto do colonialismo: através da Guerra Colonial/Guerra de libertação e através da escravatura, do chibalo (trabalho forçado) e do imposto de palhota. Nota biográfica Inês Macamo Raimundo - É atualmente Professora associada da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, assim como do Centro de Análise de Políticas Públicas da mesma Universidade. Doutorada em Processos Migratórios Forçados pela Universidade de Witwatersrand (África do Sul), tem vindo a trabalhar temas relacionados com a mobilidade humana no contexto da África Austral, destacando-se os temas ligadosm à pobreza, HIV, meio ambiente e género. Desde 2004 tem vindo a coordenar estudos de migração sob a égide da SAMP (Projecto de Estudos Migratórios na África Austral), que inclui: a migração forçada e migração transfronteiriça, HIV, saúde sexual e reprodutiva, a segurança alimentar urbana, e sexo, urbano e estudos ambientais. Tem inúmeros trabalhos publicados em revistas e livros nacionais e internacionais, destacando-se Raimundo, Inês (2008). “Migration Management: Mozambique’s Challenges and Strategies”. In International Migration and National Development in sub-Saharan Africa. Edited By Aderanti Adepoju, Ton Van Naerssen and Annelies Zoomers, Brill, Leiden; Raimundo, Inês (2005). “From civil war to floods: an international migration in Gaza province, Mozambique, In Negotiating Modernity: Africa's Ambivalent Experience. Edited by Elisio S. Macamo. Zed Books, London. Perguntas feitas durante a entrevista: Fale-me um pouco do seu trabalho no que concerne às migrações forçadas em Moçambique… Quais são os fatores mais decisivos e que reflexões é que essa realidade nos permite fazer? Qual tem sido o principal impacto social das migrações forçadas na vida das populações? Que momentos foram mais marcantes, do ponto de vista histórico, no movimento das populações. Os movimentos populacionais também expõem a artificialidade das fronteiras que separam populações que não se encontram separadas? Pode-me falar um pouco de que modo a relação com os mortos define a pertença aos territórios? Em que medida é que no contexto africano os desastres ambientais têm sido associados às alterações climáticas resultantes do aquecimento global. De que modo é que os megaprojetos têm afetado Moçambique nos últimos? O que é que a Europa pode aprender com o resto do Mundo?